Marco Nanini e Guilherme Weber contracenam a tragicomédia ácida e melancólica ‘Fim de Partida’
O espetáculo Fim de Partida com os atores Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França terá apresentações sábado (17/10/26), às 20h, e domingo (18/10/26), às 18h, no Teatro Simões Lopes Neto (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico ), em Porto Alegre /RS. Os últimos ingressos para assistir o clássico de Samuel Beckett, com direção de Rodrigo Portella e produção de Fernando Libonati estão à venda no site Theatro São Pedro e na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.
Samuel Beckett (1906-1989) escreveu Fim de Partida nos anos 1950 sob o impacto da Segunda Guerra Mundial. Neste cenário pós-apocalíptico, o autor apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Em cena, eles possuem um vínculo atravessado pela violência e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e também melancólica. Presos em um espaço claustrofóbico, os personagens enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, conta Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem na peça. Juntos, eles já estiveram nas montagens célebres de Os Solitários (2002) e A Morte do Caixeiro Viajante (2004).
Logo também reuniram Helena Ignez, icônico nome do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado O Burguês Ridículo (1996). Rodrigo Portella foi convidado para assumir a direção da empreitada e chega em um grande momento profissional com a consagração de alguns dos espetáculos que dirigiu recentemente, como Tom na Fazenda, Ficções, Um Ensaio sobre a Cegueira (Grupo Galpão) e Ray.
Para Portella, o texto de Fim de Partida pode ser dividido em três fluxos: “O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, conta o diretor, que chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro.
Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica da metalinguagem que o texto propõe se estabelece: “Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: Há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco”, resume Portella.
A equipe criativa do espetáculo conta ainda com parceiros que enfileiram uma série de projetos com Nanini, como o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística dos espetáculos do ator nas últimas três décadas.
Espetáculo Fim de Partida
- Galeria: R$ 35,00 (inteiro) e R$ 17,50 (meia-entrada)
- Balcões Inferiores: R$ 50,00 (inteiro) e R$ 25,00 (meia-entrada)
- Plateia Alta: R$ 80,00 (inteiro) e R$ 40,00 (meia-entrada)
- Plateia Baixa: R$ 120,00 (inteiro) e R$ 60,00 (meia-entrada)
Jéssica Barcellos – Assessoria de imprensa do Multipalco Eva Sopher