Espetáculo ‘O Último Dia’, no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro / RJ
. Programação Digital . Peças de Teatro no Rio de Janeiro . Espetáculo ‘O Último Dia’ em temporada de 07 a 29 de abril de 2026, no Centro Cultural Justiça Federal ( Av. Rio Branco, 241 – Centro ), no Rio de Janeiro / RJ. Baseada no livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça lança luz sobre os ciclos de controle, medo e violência que atravessam relacionamentos abusivos. Sessões terças e quartas, às 19h. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Venda de ingressos pelo site Sympla.
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios dos últimos anos
Existem cinco tipos principais de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. E não é raro que esses atos ocorram em conjunto. Só em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas no Brasil – o maior número de feminicídios dos últimos anos.
Espetáculo ‘O Último Dia’
Com idealização de Ana Capella e direção de Paulo Reis, a encenação aposta em uma dramaturgia direta e sensível, que evita o sensacionalismo e privilegia a escuta, o silêncio e o confronto emocional. “O Último Dia” acompanha a trajetória de Luana, uma mulher que, aos poucos, vê sua relação se transformar em um ciclo de controle, medo e violência. A narrativa evidencia como o abuso raramente surge de forma abrupta, mas se instala de maneira progressiva e frequentemente naturalizada, até alcançar consequências mais graves.
“Escrevi esta peça movida pela esperança de contribuir para uma batalha que atravessa gerações: enfrentar o machismo que se infiltra no cotidiano, naturaliza a violência e ainda insiste em absolver culpados e silenciar vítimas. Diante da tragédia do Brasil de hoje — marcado por feminicídios, estupros e tantas violências que fazem meninas e mulheres sofrerem diariamente —, refletir sobre o machismo é urgente.
Tenho esperança de que um dia essa realidade será outra. Que chegará o tempo em que nós, mulheres, possamos simplesmente viver, livres e sem medo”, observa a coautora Mariana Reade.
O espetáculo constrói sua força a partir da precisão cênica e do compromisso ético com o tema que aborda. No elenco, estão Tainá Senna, Eduardo Hoffmann, Ana Carbatti e Julia Tupinambá, que dão corpo e voz a personagens atravessados por conflitos íntimos, familiares e sociais. O elenco sustenta uma encenação de forte carga emocional, em que cada gesto e cada palavra revelam sutilezas da violência cotidiana.
“Vimos o número de feminicídios crescer no ano passado, um panorama desolador. Diante desse quadro, é cada vez mais urgente que não só a imprensa noticie os novos casos, mas que a arte traga este tema à tona. A arte também tem essa função de alertar e conscientizar a população, por isso montar essa peça é tão importante”, comenta a atriz Tainá Senna, que vive Luana.
“O Último Dia” evidencia que o feminicídio é o desfecho extremo de uma longa sequência de abusos. Ao colocar o público diante dessa escalada, o espetáculo rompe com a ideia de que a violência se resume ao ato final, revelando suas múltiplas formas e permanências.
Produzido pela Nanni Produções Artísticas, com coordenação de Guilherme Nanni, em parceria com Ana Capella, o projeto reafirma o papel da arte como instrumento de reflexão social e transformação. Em um país que registra índices alarmantes de violências contra a mulher, reconhecer a violência é o primeiro passo para interrompê-la.
Fonte : Rachel Almeida | Racca Comunicação
