Neurologista Pedro Schestatsky analisa no livro ‘Cérebros quebrados’ as causas e os sintomas do adoecimento cerebral
. Programação Digital . Uma em cada sete pessoas no mundo vive hoje com algum transtorno mental, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — quase 1 bilhão de pessoas. No Brasil, 9,3% da população convive com ansiedade, a taxa mais alta entre os países avaliados; em um ranking de saúde mental com 64 nações, o país ficou na terceira pior posição, onze pontos abaixo da média geral. É esse cenário que o neurologista Pedro Schestatsky analisa em Cérebros quebrados — uma epidemia invisível, seu novo livro sobre as causas — e não apenas os sintomas — do adoecimento cerebral.
Entre os mais velhos, a situação também preocupa. Dados do Ministério da Saúde mostram que 1/3 das pessoas a partir dos 85 anos convivem com algum tipo de demência. Ao mesmo tempo, consultórios de neurologia e psiquiatria recebem pacientes cada vez mais jovens com ansiedade, depressão, déficit de atenção e esgotamento emocional. Para Schestatsky, isso configura um padrão “o órgão mais resistente do corpo humano está falhando mais cedo”, alerta.
Uma geração mais exposta
Segundo o neurologista, essa antecipação do adoecimento cerebral não é resultado do acaso, nem apenas de herança genética. É, na verdade, consequência do modo como o cérebro reage ao mundo moderno: alimentação ultraprocessada, sedentarismo, privação de sono, inflamação crônica e excesso de estímulos. O maior receio, de acordo com o especialista, não é uma doença específica, mas o efeito cumulativo desse estilo de vida sobre gerações inteiras. “Quando penso no futuro, como neurologista, o que mais me preocupa não é esta ou aquela doença específica, é a normalização do adoecimento. Estamos caminhando para uma geração mais inflamada, sedentária, privada de sono e exposta a estímulos digitais desde cedo e, talvez, também com pior saúde metabólica do que as anteriores”, afirma. Para ele, o resultado será um número crescente de cérebros funcionando abaixo do seu potencial, o que vai sobrecarregar tanto a vida privada quanto a vida pública, em setores que vão da saúde à economia e à educação.
Método MAP — Movimento Alimentação e Pensamento
Como resposta a esse cenário, o neurologista sistematizou o método MAP — Movimento, Alimentação e Pensamento —, um programa que parte do princípio de que o paciente deve ser protagonista da própria saúde. Na prática, propõe mudanças em três frentes: o tipo e a frequência de movimento corporal, a composição das refeições, com atenção a jejum, fermentados e gorduras de qualidade; e a gestão dos pensamentos, incluindo sono e respiração consciente. “O MAP tem potencial para mudar o nível de consciência das pessoas, algo que já vi acontecer centenas de vezes nos últimos anos”, garante o neurologista. O livro traz ainda um teste de autoavaliação — “Como está a sua saúde cerebral?” —, em que o leitor pontua de 0 a 10 hábitos como horas de sono, ingestão de água e consumo de vegetais, chegando a um escore dividido em quatro zonas, da “alerta e reconstrução” à “alta performance sustentável”.
O que a ciência não resolve sozinha
Em sua nova obra, além de defender mudanças de hábitos, o autor também explora suplementos, práticas inusitadas e novos tratamentos simples e tecnológicos para prevenir, atenuar ou até mesmo reverter, em alguns casos, transtornos cerebrais. Por que no final “para curar corpo e mente, é preciso estar disposto a abandonar aquilo que nos adoece”, explica Schestatsky.
Uma ponte até a AACD
Cérebros quebrados — uma epidemia invisível chega às livrarias em 10 de agosto — mas a novidade vai além do lançamento. Toda a renda gerada pela venda dos primeiros 3.000 exemplares será revertida integralmente à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), instituição sem fins lucrativos dedicada à reabilitação de pessoas com deficiência física.

Neurologista Pedro Schestatsky
Pedro Schestatsky é médico neurologista, palestrante e coordenador de programas de pós-graduação em Saúde Mental e em Autismo e TDAH. Ao longo de mais de duas décadas de pesquisa — com mais de 50 artigos científicos publicados e pós-doutorado em Harvard —, consolidou uma trajetória voltada a abordagens integrativas para o cuidado do cérebro. É autor do best-seller Medicina do amanhã, finalista do Prêmio Jabuti.
Fonte : Laura Santiago / LS8 Consultoria
